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Friday, March 5, 2010

Plano Inclinado

Pedimos desculpa pela falta de actualização recente, uma falha que tentaremos começar a colmatar brevemente. Entretanto, aqui fica o Plano Inclinado da semana passada.


Tuesday, February 16, 2010

Plano Inclinado

Plano Inclinado do passado Sábado, com Henrique Medina Carreira, Nuno Crato e João Salgueiro, sobre Economia e Finanças Nacionais e Internacionais.


Friday, February 12, 2010

"Exploradores", por Miguel Monjardino

Artigo de Miguel Monjardino, publicado na edição do Expresso de 6 de Fevereiro, extraordinariamente pertinente no que diz respeito ao nosso presente e futuro.

A inovação tecnológica e o empreendedorismo sempre foram coisas importantes. Mas agora que estamos claramente a entrar numa época em que o conhecimento é cada vez mais relevante, a inovação tecnológica e o empreendedorismo serão cruciais em termos económicos e políticos. Os países que nas próximas décadas conseguirem atrair e manter as empresas privadas mais capazes de inovar, desenvolver e vender produtos nos mercados mundiais serão mais ricos e influentes em termos internacionais.

A Apple, liderada por Steve Jobs, é hoje considerada uma das empresas mais inovadoras no mundo. O "The Economist" da semana passada chamava a atenção para o facto de a empresa ter conseguido transformar nas últimas décadas as indústrias dos computadores, da música e das telecomunicações. O novo iPad promete continuar a transformar os computadores e as telecomunicações e a reinventar a imprensa.

Um olhar para as empresas mais inovadoras do ponto de vista tecnológico e para a geografia do empreendedorismo mostra que os EUA continuam a ser uma espécie de país-farol nestas duas áreas. Quem é que vem a seguir? No meio de alguns candidatos, vale a pena olhar para Israel.

À primeira vista, a sugestão pode parecer absurda. Afinal de contas, o Médio Oriente não é uma região estável do ponto de vista geopolítico nem integrada economicamente, a lista de candidatos interessados em destruir Israel é longa e o país só tem sete milhões de pessoas. Mas como Dan Senor e Saul Sanger mostram em "Start-Up Nation. The Story of Israel's Economic Miracle" (Nova Iorque: Twelve, 2009), as aparências enganam.

Sessenta e três empresas israelitas estão cotadas no Nasdaq em Nova Iorque. Se juntarmos todas as empresas europeias cotadas na mesma bolsa, ficamos muito longe deste número. Israel atrai tanto capital de risco para investimento em empresas tecnológicas como a França e a Alemanha juntas. Nenhum país do mundo dedica uma percentagem tão elevada do seu produto nacional bruto à investigação e desenvolvimento civil como Israel.

De onde é que vem toda esta inovação e capacidade israelita para criar e vender produtos nos mercados internacionais? Senor e Sanger sugerem três respostas. A primeira é a existência de excelentes universidades, fundos de capital de risco e um elevado número de engenheiros no país. A segunda, é um ambiente social que privilegia uma cultura igualitária, estimulante, individualista e tolerante em relação ao falhanço. A terceira, é a importância de um longo serviço militar obrigatório numas forças armadas extremamente competitivas que fazem um uso intensivo da inovação tecnológica e da liderança.

E nós, por cá, como é que estamos? "O Futuro Inventa-se" (Objectiva: 2009), de António Câmara, professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia na Universidade Nova e presidente da YDreams, é o melhor ponto de partida para esta importante discussão sobre a nossa capacidade para usar o conhecimento na criação de novas empresas e produtos.

António Câmara argumenta que um dos nossos grandes problemas nestas duas áreas é que "a universidade portuguesa forma estudantes para serem empregados e não 'exploradores': líderes políticos, artistas, cientistas e empreendedores". A título de comparação, veja-se, por exemplo, o caso da Universidade do Michigan (EUA), onde 10% dos caloiros - seiscentos alunos - criaram um negócio no ensino secundário.

A aversão ao risco e ao falhanço da nossa sociedade, a falta de fundos de capital nas universidades e de incentivos académicos para o empreendedorismo dos professores são outros pontos analisados por António Câmara.

"O Futuro Inventa-se" é um livro indispensável. Não precisamos de fazer melhor. Precisamos de fazer muito melhor. Para isso é necessário uma nova geração de exploradores. Só assim teremos um futuro melhor.


Empreendedorismo
35 anos depois da sua fundação, a Apple é um exemplo da inovação tecnológica e do empreendedorismo. Israel é um país extremamente interessante nestas duas áreas. Portugal precisa de uma nova geração de exploradores.

Barómetro
+ O Iraque chegou a acordo com a Exxon e a Shell sobre o desenvolvimento de um importante campo petrolífero no sul do país
- O impacto dos défices orçamentais na credibilidade e no preço das dívidas públicas da Grécia, Portugal e Espanha

Miguel Monjardino

Monday, February 8, 2010

Plano Inclinado

Plano Inclinado do passado sábado, com Nuno Crato, João Duque e João Queiró, sobre o orçamento para o ensino superior.


Tuesday, February 2, 2010

Orçamento de Estado e Segurança Social

Plano Inclinado do passado sábado, sobre o Orçamento de Estado e a Segurança Social, com Medina Carreira, João Duque e Miguel Gouveia.

Tuesday, January 26, 2010

Plano Inclinado - Défice, Investimento e Educação

Plano Inclinado do passado sábado, com os comentadores usuais. Os temas são o défice, o investimento e a educação.


Tuesday, November 24, 2009

Desilusão

Henrique Medina Carreira costuma prestar um grande serviço ao país sempre que fala na televisão, alertando-nos para os verdadeiros problemas que enfrentamos (e que certamente vamos enfrentar mais arduamente no futuro), mas que os políticos não gostam de abordar. É certo que há mais comentadores que o fazem, mas Medina Carreira fá-lo num estilo e num tom muito próprio, sem papas na língua, que não deixa ninguém indiferente. Esse alerta é necessário na sociedade portuguesa, e por isso tenho-lhe feito muitos elogios.

Contudo, Medina Carreira foi para mim uma verdadeira desilusão no Plano Inclinado desta semana. Em geral, tem sido muito criticado por estar constantemente a dizer mal sem apresentar soluções, e foi isso que decidiu fazer neste terceiro programa, que tinha o objectivo de passar do diagnóstico para a receita. E, ao tentar fazê-lo, Medina Carreira não foi minimamente convincente, insistindo em soluções que não me parecem aplicáveis na realidade, e descartando qualquer caminho que João Duque ou Nuno Crato apontassem como adequado para melhorar a situação do país.

Uma das suas soluções, que já era aliás conhecida através de várias entrevistas, passa por um presidencialismo temporário. No entanto, nunca explicou muito bem de que forma é que isso garantia com certeza uma melhoria na nossa situação. E se o presidente eleito fosse incompetente? Não ficariamos pior do que agora, ao concentrar mais poder nas suas mãos? De qualquer forma, o que me parece mais relevante é o seguinte: quando olhamos para o estrangeiro, apercebemo-nos de que o sistema político não é particularmente determinante para as condições do país, e o contraste entre o presidencialismo dos EUA e o parlamentarismo do Reino Unido é um bom exemplo. Eu não tenho preferência por um sistema ou por outro, mas duvido que esta solução seja particularmente relevante.

Depois, Medina Carreira está tão obcecado com o presente que parece ignorar a importância das medidas de longo prazo. Nuno Crato falou na importância da educação para as gerações futuras, e João Duque do desenvolvimento das exportações de vinho, em quantidade e qualidade, como exemplo do tipo de inovação que precisamos. Em relação à educação, Medina Carreira crê que são medidas para muito longo prazo, e prefere mexer na justiça. Neste aspecto, sendo ele um pessimista, acabou por evidenciar o que eu considero um grande optimismo, dizendo que uma pessoa séria em três anos punha a justiça na ordem, algo que não me parece de todo possível independente da seriedade de quem esteja à frente do país. Quanto à questão do vinho, disse ser apenas um caso pontual, e que não é assim que o país cresce. Embora tenha em certo sentido razão (parece-me evidente que as exportações de vinho são insuficientes para cobrir os nossos gastos...), a verdade é que o exemplo do vinho é excelente como fonte de inspiração para outras áreas que também podemos desenvolver. Não digo que não sejam precisas reformas profundas - é indispensável mexer na educação, na justiça, e na excessiva burocracia -, o que digo é que estes exemplos pontuais também são importantes, pois se aos poucos exemplos que temos de excelência se forem somando outros que apareçam, e que inspirem ainda outros a aparecer, esse é um contributo que não é de todo irrelevante.

Depois desta nota desiludida com um comentador que realmente admiro, aqui deixo o referido programa. No próximo sábado será debatida a educação, com Maria do Carmo Vieira no lugar de João Duque.