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Tuesday, February 2, 2010

Dúvidas?

"Better to remain silent and be thought a fool than to speak out and remove all doubt." - Abraham Lincoln

O melhor que o Governo teria a fazer sobre o caso Mário Crespo seria ou o silêncio ou algum comentário tão curto que não enterrasse ainda mais José Sócrates, depois de todos os inconclusivos escândalos anteriores. Jorge Lacão soube perceber isso muito bem, e por isso limitou-se a afirmar que não comenta casos com base em "calhandrices". Infelizmente para si próprio e para o primeiro-ministro, Augusto Santos Silva não teve a mesma perspicácia, e acabou por falar demais.

Segundo o Público, Santos Silva acha "absolutamente inacreditável" que se queira "fazer um texto com base no que supõe serem informações que lhe tenham sido transmitidas acerca de conversas privadas, tidas em restaurantes". Curiosamente, o ministro da defesa não acha "absolutamente inacreditável" que o primeiro-ministro, acompanhado por dois ministros, se dirija num restaurante à mesa onde está o director de programas da SIC e lhe diga que Mário Crespo é um problema que tem que ser solucionado.

Para além disso, também é estranho que não ache "absolutamente inacreditável" que ele próprio classifique como privadas conversas que são ouvidas noutras mesas do restaurante. Eu, pelo menos, quando quero garantir privacidade, procuro falar de forma a que os outros não ouçam. O que é "absolutamente inacreditável" aqui é que venha agora Santos Silva dar lições de moral sobre privacidade, dizendo que “todos temos direito à privacidade das nossas comunicações”, procurando defender o primeiro-ministro (a meu ver, Santos Silva já está a alargar demasiado o conceito de ministro da defesa) de forma a torná-lo a vítima destes acontecimentos preocupantes, que nem tem direito a ter conversas em privado sobre os jornalistas cuja situação quer ver solucionada.

Como se não bastasse, Santos Silva conseguiu dizer ainda que a situação "não merece nenhum crédito", já que "as fontes não são conhecidas". Claro que, sendo agora algumas fontes já conhecidas, provavelmente é altura de voltar a entrevistar o ministro, que certamente já lhes dará crédito. No meio de tanta lábia, Santos Silva só não conseguiu fazer uma coisa: desmentir o sucedido. Se tivesse ficado calado, algumas dúvidas teriam permanecido. Assim, acabou de dissipá-las...

Monday, February 1, 2010

Parece que, afinal, o problema já foi resolvido...

O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”.

Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.


Estes são excertos de um artigo de Mário Crespo publicado hoje pelo Instituto Francisco Sá Carneiro. O artigo foi originalmente escrito para ser publicado no Jornal de Notícias, mas, por alguma razão, não o foi...

Thursday, January 28, 2010

Em que é que ficamos?!


Público
Saúde e empregos são as grandes prioridades de Obama
O Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, prometeu ontem continuar a lutar pela reforma do funcionamento do sistema de saúde e instou os dois partidos no Congresso a ultrapassar as suas divisões e aprovar a nova legislação que garantirá o acesso a cuidados médicos a mais de trinta milhões de pessoas actualmente fora do sistema.
[Em seguida, o Público dedica quatro parágrafos às palavras de Obama sobre a reforma do sistema de saúde]
Expresso
Barack Obama quer mais emprego
Presidente Barack Obama proferiu ontem o discurso do Estado da União, revelando uma mudança de estilo. A prioridade passa a ser o emprego e a economia. Outros assuntos, como a reforma do sistema de Saúde, podem esperar.
[No artigo do Expresso, a reforma do sistema de saúde apenas é referida para dizer que Obama apenas lhe dedicou 2 minutos em hora e meia de discurso]